domingo, 29 de agosto de 2010

Estrangeiro

Vejo um sinal.
Dedos trêmulos etílicos,
E já não vejo mais nada.
Tudo não passou de um esforço
Confuso,
Que acabou com um pigarro
Escrito.

Sinto o tempo,
Mas o tempo não quer
Me sentir;
Insiste que tudo não passou
De um instante,
E já tudo não é como antes.
Eu sou o tempo,
Mas o tempo é o nada
E o nada não quer existir
E existe;
Surge, ergue-se e levante,
Devora e aturde,
Seu mistério é não possuir
Mistério algum.

Ah, nada que vem sem tempo
Onde me escondo em mentiras,
Faces ocultas de um ser
Sem face.
Tudo fácil àquele em
Metamorfose,
Sempre a apagar borrões.
Triste sina de um
Homem,
Cuja face esconde,
Um modo de ser sem nome.





P.S.: Plebiscito pelo Limite da propriedade da TERRA de 1 à 7 de setembro, vamos por ordem no campo.



Confissões do Latifúndio

Por onde passei,
Plantei
a cerca farpada,
plantei a queimada.
Por onde passei,
plantei
a morte matada.
Por onde passei,
matei
a tribo calada,
a roça suada,
a terra esperada...
Por onde passei,
tendo tudo em lei,
eu plantei o nada.

Pedro Casaldáliga






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