quinta-feira, 6 de outubro de 2011

saudade!

Breve em uma palavra
reduzo o dia, o mar, o mundo.
descubro-me pequeno,
... só para caber no coração.

Desponta no horizonte meu abraço minguante,
logo far-se-á cheio,
é que o amor é desordeiro,
palmilha o afago lisonjeiro,
tripudia quem opõe-se à seu mistério,
não colherá o amanhã.

Anseio, amigos, por um abraço
amoroso,
ouço o tempo, silencioso,
nos levando em mansidão.
Talvez, seja a minha despedida,
Talvez, seja eu a desmedida
cor que borra,
a suave dor que implora atenção.

Sou tão pouco que,
meu pouco, jorra,
transborda, alastra, margeia
o fundo de um mundo torto,
um belo mundo avesso
que nada faz, senão, nascer
e morrer, indefinidamente.


George D.T.

sábado, 30 de julho de 2011

Estômago

Ouvi o grito rouco renitente,
Vinha do meu estômago.
O que ouço todos podem ouvir,
O agudo grito da fome.
Que grito é esse que provoca silêncio?
...Grito autônomo!
Posso até fazer-me mouco,
Ignorar o meu sufoco,
Que ele teima existir.
Ah, Gritos de desespero,
de horror! Gritos de absurdo!
Gritos que não querem, não podem
Calar,
São gritos de amor.
Anseios gritos, semeiam sonhos.
Semeai o sonho.
___________,,__________
Sempre É Tempo.

George D.T.

domingo, 17 de julho de 2011

Amor não se conjuga

Amar é um ato de coragem

Rasguei uma frase ardil, como quem tece bons conselhos.
As frases me soam ocas e os conselhos deslocados.
Somos abelhas fecundas? Fecunda é a vida.

A flor da vida abraça-me.
É que não tenho braços e sinto-me apertado.
Devolvo um breve sorriso branco,
meu olhar já não é de abelha, mas vestal.
Intácto em minhas profundezas,
Provo do doce mel da ignorância.
Só insisto porque não conheço, talvez,
se conhecesse, desprezaria.
É que conhecer pode ser um ato vil.

Não nasci abelha, mas estou a meio caminho.
Não nasci o que sou, sou o que nasceu.

Tenho por nome ventura.
O que busco, dizem ser segurança,
mas esta não se sustenta em lugar nenhum.

Melhor tem sido o seu contrário,
embora não o veja em lugar algum,
me espanta que o sinta em toda parte.

Se sou homem, o que duvido, sou pobre.
De tudo o que nossa mãe
nos oferece retribuo com palavras.

George D.T.

sábado, 18 de junho de 2011

Surto

Alguém, por favor,
sequestre-me.

Pesado me tenho andando
andar tem sido
um desafio grave.

Provo extremidades
e sinto meu corpo
umbral,
um feixe de luz.

Saboreio a ignorância
com a doçe ingenuidade de uma criança,
quão delicioso pode ser
inconsequente.

Rasgo amores inexistentes.
Inexistir é como a face mais cruel
de uma existência.

Dor de não havê-la,
e como dói.


E Sei, pois disso não se furta,
pretenso, falo do mundo,
mas é de mim
que insisto tecer
temeridades.

George D.T.

domingo, 29 de maio de 2011

Ama-me, mundo? Porque, Eu a ti, perdidamente.

Úrsa,

És um labirinto sem saída
no qual amo perder-me.

Viveria buscando
palavra que a defina,
com a íntima certeza
de só ser possível o teu nome.

George D.T.

domingo, 24 de abril de 2011

O indizível

Do amor?
O que nunca fiz foi calar-me, 

quando tudo o que pedia-me era silêncio.
Acusei-o insano.
Duvidei dele um tanto.
Mas tornei, dele não me alijo...

me abandono.
Já busquei mensurá-lo.
Que absurdo!
Para o amor não há medida. Não há termo, nem saída.
Ignorância me alcança quando o nomeio
e enfadonho, repito:
"Amo, amar é não ter palavras".

Amor, Misterioso Labirinto!


George D.T.


domingo, 3 de abril de 2011

Só em companhia.

A tristeza do Incompreendido

Soubesse não diria,
quem sabe não fala,
silencia.

A Dor é um eterno vir-ao-mundo.
A ponte? Um dissabor
prazeroso.
Ou seria a travessia?

Lanço-me outra vez.

Saberei o que me espera?
Que esta certeza nunca
me alcance.
A dúvida?
Algo temeroso,
mas vicejante.

Tantas metáforas à mão,
que fazer uso já me cansa.

Sofro por saber
o que não deveria:
Calar-me.

George D.T.
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Nas pegadas
vejo o torto.
Sigo-o.
Seguir tem sido
um desatino.
Escuto ao longe
um ensurdecedor silencio.


Tudo parece já dito,
que sobra-me falar
de restos,
como Manoel,
modelado pelo barro.

Cansei-me do ser
desgastei o estar.

Não me sobram verbos,
Não me prestam as palavras.

George D.T.






Vejam.
Não demora,
e toda luta desmedida,
toda dor e suas feridas...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sociedade em consumo

A escolha da necessidade

Repetir é poesia
transversa.
Uma insistência
descabida,
que só os corações
renitentes ousam.
Procuras o amor?
Olha embaixo da cama.

Aceitar o mistério é uma arte.
Renunciar ao entendimento,
uma virtuosa loucura.
E a escolha funde-se ao
necessário ato de devorar,
pois devorar é um retorno
aos mistérios primitivos.

George D.T.




sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cuidado, a corda.

Tempos de dormência.



Ontem precipício.
Hoje, nada aquém,
ou além, de uma metáfora.
Entendam-me, a terra
dos deuses é o hospício.

Não se alivia uma dor
com desejos.
Tocar-se constantemente,
e a sensação de ausência
é um abandono.
Entoar mil maneiras
ao soletrar minhas carências,
e um coração escarninho.

O tempo é de dormência.

Olhar selvagem e caçador,
em um corpo frágil.
Saliva escorre pelos cantos.
A embriaguez se encarrega
da sensação de fracasso.
Descompasso revestido
de lassidão.

A vida não é só feita
de rimas.
E o amor, um canto mavioso,
que tem passado distante,
mas que deixa rastro.

George D.T.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Escuridão

A Brevidade


A noite é um
andarilho cansado,
que tateia o mundo
de olhos vendados.

Socorre, ó luz, os
insanos saltos
à beira da senda,
que a sombra turva
e o dia desvenda.

George D.T.


Gretas

Cercado por todos os
lados,
rodeado de maus cuidados,
corroído e desgastado,
é o caminho do fosso.
Se há sombra
eu vejo luz.
A noite precede o dia.


George D.T.




Torvelinho

Sonhos, sonhos... são sonhos.
O sono, em sonho, anestesia
a ferida.
Pensou em dizer...

O sonho, em sono, conduz
às vísceras,
remoe,
convulsa,
aturde
e desorienta.
Que pode querer dizer?
Não diz, nem pensa...

George D.T.


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Dedução

Não acabarão com o amor,
nem as rugas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo firme,
fiel
e verdadeiramente.


V. Maiakóvski (1922)
















De tudo que hoje faço
faça de mim
o que não espero,
desfaça as minhas mazelas
e refaça-me, como um elo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Teorias

Teorizando

Se encontrar você acaba duvidando.
Não da poesia que jaz em todas as feridas,
Mas das insistentes explicações da vida.



Faz sentido?

Sou todo ouvidos,
mas só consigo enxergá-lo.
Quando o vejo
meu nariz quem o indica;
Quanto ao seu cheiro,
meu coração quem palpita.
Seu gosto é cego
àqueles que não
podem ouvi-lo.
Sorte possuir sentidos?
Azar é apenas um alarido.
Amo e amar é não ter palavras.


George D.T.

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"Amar não é aceitar tudo.
Aliás: onde tudo é aceito,
desconfio que haja
falta de amor".

Maiakovski

P.S: Retirado do blog vivo pela vida

http://vivopelavida.com.br/tag/vladimir-maiakovski/




Sou um grosseiro
assassinando rosas;
tento fazer
de minha estupidez
um jardim.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Discrição

Ser Descrito

Mesmo que quisesse
não poderia
Sou mudo, sou cego.
O pior da espécie;
Jaz em mim tudo
Que lhe desinteresse.
Minha língua afiada
Te desnuda,
Meu corpo serpentina,
Minha alma transita;
Sou só, na companhia
de muitos.
Qualquer posição
me enfada.
Insulto-me
aos uivos.
Sou, por si só basta.

George D.T.



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O Percurso


Habita minha estreiteza
o não-lugar em que transito

meu destino é largo

no percurso triste da estrada
vou abandonando meus passos
como alguém que me alcança...

Moacir Eduão.