domingo, 17 de julho de 2011

Amor não se conjuga

Amar é um ato de coragem

Rasguei uma frase ardil, como quem tece bons conselhos.
As frases me soam ocas e os conselhos deslocados.
Somos abelhas fecundas? Fecunda é a vida.

A flor da vida abraça-me.
É que não tenho braços e sinto-me apertado.
Devolvo um breve sorriso branco,
meu olhar já não é de abelha, mas vestal.
Intácto em minhas profundezas,
Provo do doce mel da ignorância.
Só insisto porque não conheço, talvez,
se conhecesse, desprezaria.
É que conhecer pode ser um ato vil.

Não nasci abelha, mas estou a meio caminho.
Não nasci o que sou, sou o que nasceu.

Tenho por nome ventura.
O que busco, dizem ser segurança,
mas esta não se sustenta em lugar nenhum.

Melhor tem sido o seu contrário,
embora não o veja em lugar algum,
me espanta que o sinta em toda parte.

Se sou homem, o que duvido, sou pobre.
De tudo o que nossa mãe
nos oferece retribuo com palavras.

George D.T.

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