sábado, 30 de julho de 2011

Estômago

Ouvi o grito rouco renitente,
Vinha do meu estômago.
O que ouço todos podem ouvir,
O agudo grito da fome.
Que grito é esse que provoca silêncio?
...Grito autônomo!
Posso até fazer-me mouco,
Ignorar o meu sufoco,
Que ele teima existir.
Ah, Gritos de desespero,
de horror! Gritos de absurdo!
Gritos que não querem, não podem
Calar,
São gritos de amor.
Anseios gritos, semeiam sonhos.
Semeai o sonho.
___________,,__________
Sempre É Tempo.

George D.T.

domingo, 17 de julho de 2011

Amor não se conjuga

Amar é um ato de coragem

Rasguei uma frase ardil, como quem tece bons conselhos.
As frases me soam ocas e os conselhos deslocados.
Somos abelhas fecundas? Fecunda é a vida.

A flor da vida abraça-me.
É que não tenho braços e sinto-me apertado.
Devolvo um breve sorriso branco,
meu olhar já não é de abelha, mas vestal.
Intácto em minhas profundezas,
Provo do doce mel da ignorância.
Só insisto porque não conheço, talvez,
se conhecesse, desprezaria.
É que conhecer pode ser um ato vil.

Não nasci abelha, mas estou a meio caminho.
Não nasci o que sou, sou o que nasceu.

Tenho por nome ventura.
O que busco, dizem ser segurança,
mas esta não se sustenta em lugar nenhum.

Melhor tem sido o seu contrário,
embora não o veja em lugar algum,
me espanta que o sinta em toda parte.

Se sou homem, o que duvido, sou pobre.
De tudo o que nossa mãe
nos oferece retribuo com palavras.

George D.T.