domingo, 30 de novembro de 2014



Há tempos imemoriais fazem-se os filhos,
Com suas demoras sufocantes
eclipsando os astros
Disparados na lentidão
de um átimo.
Toda a diversão de um vagar
sem pressa.

Devagar, vão desdobrando o tempo
com uma delícia entre os lábios,
Balbuciando os segredos
da fragilidade.

Entre homens e filhos
há uma eternidade.
Dos surgimento dos filhos
sabe-se que não há lembrança.
Talvez sejam da idade do cosmos.

Mas e os pais, quando se farão os pais?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

saudade!

Breve em uma palavra
reduzo o dia, o mar, o mundo.
descubro-me pequeno,
... só para caber no coração.

Desponta no horizonte meu abraço minguante,
logo far-se-á cheio,
é que o amor é desordeiro,
palmilha o afago lisonjeiro,
tripudia quem opõe-se à seu mistério,
não colherá o amanhã.

Anseio, amigos, por um abraço
amoroso,
ouço o tempo, silencioso,
nos levando em mansidão.
Talvez, seja a minha despedida,
Talvez, seja eu a desmedida
cor que borra,
a suave dor que implora atenção.

Sou tão pouco que,
meu pouco, jorra,
transborda, alastra, margeia
o fundo de um mundo torto,
um belo mundo avesso
que nada faz, senão, nascer
e morrer, indefinidamente.


George D.T.

sábado, 30 de julho de 2011

Estômago

Ouvi o grito rouco renitente,
Vinha do meu estômago.
O que ouço todos podem ouvir,
O agudo grito da fome.
Que grito é esse que provoca silêncio?
...Grito autônomo!
Posso até fazer-me mouco,
Ignorar o meu sufoco,
Que ele teima existir.
Ah, Gritos de desespero,
de horror! Gritos de absurdo!
Gritos que não querem, não podem
Calar,
São gritos de amor.
Anseios gritos, semeiam sonhos.
Semeai o sonho.
___________,,__________
Sempre É Tempo.

George D.T.

domingo, 17 de julho de 2011

Amor não se conjuga

Amar é um ato de coragem

Rasguei uma frase ardil, como quem tece bons conselhos.
As frases me soam ocas e os conselhos deslocados.
Somos abelhas fecundas? Fecunda é a vida.

A flor da vida abraça-me.
É que não tenho braços e sinto-me apertado.
Devolvo um breve sorriso branco,
meu olhar já não é de abelha, mas vestal.
Intácto em minhas profundezas,
Provo do doce mel da ignorância.
Só insisto porque não conheço, talvez,
se conhecesse, desprezaria.
É que conhecer pode ser um ato vil.

Não nasci abelha, mas estou a meio caminho.
Não nasci o que sou, sou o que nasceu.

Tenho por nome ventura.
O que busco, dizem ser segurança,
mas esta não se sustenta em lugar nenhum.

Melhor tem sido o seu contrário,
embora não o veja em lugar algum,
me espanta que o sinta em toda parte.

Se sou homem, o que duvido, sou pobre.
De tudo o que nossa mãe
nos oferece retribuo com palavras.

George D.T.

sábado, 18 de junho de 2011

Surto

Alguém, por favor,
sequestre-me.

Pesado me tenho andando
andar tem sido
um desafio grave.

Provo extremidades
e sinto meu corpo
umbral,
um feixe de luz.

Saboreio a ignorância
com a doçe ingenuidade de uma criança,
quão delicioso pode ser
inconsequente.

Rasgo amores inexistentes.
Inexistir é como a face mais cruel
de uma existência.

Dor de não havê-la,
e como dói.


E Sei, pois disso não se furta,
pretenso, falo do mundo,
mas é de mim
que insisto tecer
temeridades.

George D.T.

domingo, 29 de maio de 2011

Ama-me, mundo? Porque, Eu a ti, perdidamente.

Úrsa,

És um labirinto sem saída
no qual amo perder-me.

Viveria buscando
palavra que a defina,
com a íntima certeza
de só ser possível o teu nome.

George D.T.

domingo, 24 de abril de 2011

O indizível

Do amor?
O que nunca fiz foi calar-me, 

quando tudo o que pedia-me era silêncio.
Acusei-o insano.
Duvidei dele um tanto.
Mas tornei, dele não me alijo...

me abandono.
Já busquei mensurá-lo.
Que absurdo!
Para o amor não há medida. Não há termo, nem saída.
Ignorância me alcança quando o nomeio
e enfadonho, repito:
"Amo, amar é não ter palavras".

Amor, Misterioso Labirinto!


George D.T.