domingo, 12 de setembro de 2010

Ideal

Como sou?

Ela me vê.
Oh, céus,
e como me vê.
Então ela vê?
Crê como poesia meu traço.
Emotivo?
Demasiado.
Ah! sou tão lasso.
Se ela soubesse...
Sou tão lasso...
Melhor não saber.
Minha sensibilidade?
De um paquiderme.
Não me acho,
E o meu rastro?
De um verme.
Quão nefasto!

Mas "sou o que sou,
Sem mentiras pra mim";
Custo entender.
Minhas palavras?
Um fosso.
Vez em quando um festim,
Que assusta,
Mas não fere;
Sempre vaga,
Às vezes, célebre...

Sou assim, uma caricatura;
Trôpego e andarilho,
Na verdade, um menino,
Ou melhor, uma criança
Com os lábios melados
De esperança.
Minha arte é traquina:
Equilibrar-me num caos.
Convido-te a dançar, menina.

Mas logo te aviso:
A vida é uma trama,
Urdidura insana;
Tem que torcer,
Se desfazer e tecer,
Tem que ser aranha.
E agora, onde está
Minha ética?
Profana!

George D.T.



 Abelha rainha! Me farta.

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