Nestas terras, antes
dos outros chegar,
tocados por loucos aos mares,
em projeções racionais, sintágmas
e suas leis formais,
havia uns loucos cá.
Só que esses loucos, tão
soltos em seus muitos e poucos,
digeriam-se às doses,
sem dar ou tomar em desgaste,
sem ânsia, pressa ou desfastio.
Revela teu costume, louco homem,
que se não soltas tu
solto eu
e não irás querer soltar-se
sem arrancar-me um pedaço,
não é,
todo homem?
Só poucos, aos poucos que mastiga,
permite, percebe e demora.
É que aos loucos de cá
devorar
é a única forma
de se perpetuar,
por isso ele devora.
Vai comer, vai engasgar,
vai sorrir ao vomitar, mas
não se permite parar,
não pode, não deve,
não deveria.
Se pára tonteia, se pára
esperneia;
não sabe e não quer saber,
é lei do antropófago não parar
de comer,
se não come é comido
e não serei eu
quem não irá querer comer,
comerei porque eu vivo.
Eu como
e também há de comer,
se quiser sobreviver - devorará sem castigo.
Como tua sina é só se querer,
se desejar e não mais parar;
tua sina, se assim prefere,
é devorar aos outros ao se devorar
e ao devorando-se a todos devorará.
Que não se entendam mal, homens,
pois nunca se entenderão.
George D.T.




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